quarta-feira, 11 de abril de 2012
Será que posso?
Talvez ao escrever isso o deixe apreensivo, mas por favor não fique. Preciso de você sensato, compreensivo e carinhoso.
Antes de dormir essa noite, me bateu um medo enorme de nunca mais ser a mesma. Quando fui escovar os dentes pra dormir, senti meu maxilar dolorido e estranho. Olhei-me no espelhinho que tenho na bolsa de maquiagem e não me reconheci... Estou com saudade de quem eu era, de como eu era. A sensação que tive ao ver como o meu querido sorriso está, acabou comigo. Tenho a imprensão de que tudo na minha face está errado... Eu não quero parecer, muito menos ser fraca. Estou tentando encarar as coisas da melhor forma possível, até porque sei que existem milhões de pessoas com problemas piores que os meus, como a luta pela vida... Mas será que posso chorar? Só um pouquinho e colocar pra fora a culpa que estou sentindo, de tudo isso que está acontecendo?
Olho fotos minhas e lembro da felicidade, confiança, sinceridade e carinho que meu sorriso passava às pessoas... E agora? Ele representa algo irregular, medroso, tímido, vergonhoso... Apesar da minha rotina ter sido abalada e completamente modificada devido a cirurgia no tornozelo, não me abalou tanto...É claro que quero voltar a andar o mais rápido possível, a fazer minhas coisas sozinha, porém se eu tivesse meu sorriso comigo seria moleza... Mas ele se foi....
Eu antes não me sentia feia, apenas estranha às vezes, mas bonita na minha singularidade. Hoje não encontro mais beleza.
Desculpe desabafar assim. Eu de fato precisava. Estava engasgado na minha garganta há tempos. O medo de fracassar e de ser fraca me bloquearam até agora.
Todo dia rezo pedido força e coragem à Deus, para conseguir seguir em frente a cada dia. E sei que tem me escutado, me ajudado caso contrário os poucos sorrisos sem jeito inexistiriam.
Eu queria ter tido um colo essa noite... Um colo que eu pudesse chorar, o qual não me perguntasse absolutamente nada.... Que apenas me acariciasse, enquanto minhas lágrimas vinham à tona e meu coração acelerava. Como não havia ninguém... Deus, se fez presente maravilhosamente bem. Foi como se eu pudesse ouvi-lo, senti-lo, autorizando-me a chorar, sem culpa alguma. Foi então que eu o fiz e aliviei um pouco a dor, tristeza e culpa que sinto...
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